
por Milton Morales*
A primeira coisa que me ocorreu ao escrever este review sobre o novo trabalho do MUSE, The Resistance, foi tentar ser o mais direto e sucinto possível, uma vez que ser objetivo não é uma virtude da minha natureza... entretanto, isso não é tarefa fácil, pois o CD é muito bom, decididamente um dos melhores do ano, e pode ser dividido em 2 ou 3 fases, mesmo que estejamos falando de apenas 11 músicas...
Muse, para os que não conhecem, é uma daquelas bandas que estão cada vez mais em extinção: as que fazem música livres daqueles que produzem “músicas-com-fórmula-pronta”. É uma banda que se arrisca, que procura elementos diferentes, que mistura vertentes, e que, portanto, nos dias atuais, consegue ser uma ilha no meio do nada. Ou quem sabe até um gênero particular.
Desde a primeira audição que fiz de The Resistance, o que me ocorreu para descrever esse álbum é que se trata de um trabalho conceitual... por outro lado, me pergunto até que ponto posso estar sendo redundante, afinal, para muitas pessoas Muse já é conceitual. Como explicar o “conceitual do conceitual”?
Matt Bellamy, vocalista, guitarrista e principal compositor da banda, deu algumas entrevistas afirmando que The Resistance seria um ”retorno às origens”, uma vez que a intenção era soar como soou o segundo disco da banda, o Origin of Symmetry.
O que Bellamy quis dizer com isso é que procurou-se trazer de volta o uso mais acentuado de pianos, de melodias dramáticas, como as de uma ópera (gênero que, diga-se de passagem, é tremendamente marcante no som da banda e no trabalho vocal feito por ele em qualquer CD).
Contudo, o que difere o conceitual Origin of Symmetry, para o “conceitual do conceitual” The Resistance, é o vigor das músicas, o peso, a veia rocker da banda. The Resistance não tem músicas com o vigor de New Born, Plug in Baby e Citizen Erased, todos de Origin of Symmetry. Mas possui temas instrumentais mais trabalhados, climas mais sombrios e dramáticos, sem falar de melodias absolutamente brilhantes.

Relativo às músicas da primeira fase, as primeiras do CD, pessoalmente acho que trata-se de um início primoroso do trabalho. Todas as quatro músicas são excelentes! Uprising, que abre o disco, certamente é aquela que possui mais do DNA contumaz da banda. Depois, vem Resistance, que mostra algumas harmonias vocais diferentes, que naturalmente rememoram à Queen. Pretensão da banda? Na minha opinião. É melhor tentar se equiparar aos melhores, não é verdade? Ou você preferiria harmonias similares às do Simple Plan???
A última fase do CD é dividida em 3 músicas: Exogenesis: Symphony Part 1 (Overture), Exogenesis: Symphony Part 2 (Cross Pollination) e Exogenesis: Symphony Part 3 (Redemption)... essa música (que é uma só, mas foi dividida em 3 partes) era uma das coisas mais esperadas desse àlbum. O próprio Matt, em diversas comunidades de relacionamento, especialmente o Twitter, expressava sua excitação com o tema que estava compondo.
... eu não sou um antigo fã do Muse, devo confessar... me tornei fã de verdade no ano passado, e, talvez por essa razão, em sendo The Resistance o primeiro CD depois disso, fiquei muito ansioso para ouvir o novo material da banda... e não fui em nada decepcionado.
Abraços.
*Milton é guitarrista da banda Auditiva e nosso resenhisa por encomenda, hehehe