6.7.09

MALOQUEIROS ERUDITOS


Todo mundo tem cultura. Sociológicamente... ("iiih 'sociológicamente'" pensa o leitor. Continua lendo, que vai ficar bom. Não desiste!). Voltando, sociológicamente não existe ninguém mais culto. Todos tem o seu repertório intelectual, seus códigos cotidianos. O índio, o indiano, o acadêmico... e o pobre!

Ok. Mas o que é cultura de pobre? Ouvir axé music na Eldorado e refletir sobre a letra profunda, cheia de "desce mainha"? Nada disso! Acompanhe a narrativa: Como prometido no post anterior, passei o final de semana numa sala de cinema acompanhando a mostra competitiva de curtas do FANTASPOA - Festival de cinema fantástico e de horror, ultrasegmentado, só para fãs do cine trash e nerds filhos intelectuais da ficção científica como gênero diegético. Erro! O leitor acabou de cair em mais um "pega-ratão".

A sala do Santander Cultural estava tão lotada, nos dois dias de sessão, quanto um Lomba do Pinheiro 398 em dia de passe livre. Cheio de fãs da sangueira na telona? Não só. Cheio de curiosos, gente faminta por novidade, por alternativas. Por arte. E lotou porque o preço era acessível. De graça. O que me faz pensar... se caviar fosse barato, a Dona Maria da vila Cefer (entidade criada no meio acadêmico jornalístico para balisar se algum conteúdo é inteligível a todos) não passaria as ovinhas na sua torradinha? E o CD, se tivesse um preço justo? O DVD? Shows? Livros?

E o Cinema? bom, o preço mais alto aplicado pelo Fantaspoa é R$ 4 Pila. E vai bombar sempre. Chega de comer lixo. Pobre, coma trash!

Semana que vem, mais novidades do festival. Ganhadores, destaques, etc. E vou aproveitar para deixar o link para um dos curtas de que mais gostei na mostra competitiva. O inglês THE SEPARATION. Um stop motion de revirar o "estomo"!




Mais informações no site http://www.fantaspoa.com/

Igor p.

*Foto: acervo pessoal

Um comentário:

  1. Concordo.

    Desde que o mundo é o mundo, a 'cultura', o 'conhecimento', o 'estilo', são propriedades de casta, de classe.

    Diferenciam os iguais.

    O fino deseja se parecer com o maloqueiro?

    Pão d'água tem valor algum.
    Agora... pede uma baguete (fazendo biquinho).
    C´est très sophistiqué, mon garçon!!!

    Seria ótimo viver num mundo de acessos democráticos. A dona Maria da Vila Cefer deixaria de existir, inclusive como entidade abstrata, e todos poderíamos fruir do melhor, inclusive do melhor diálogo com nossos, aí sim, semelhantes.

    Alors... não inventaríamos nada para nos diferenciar de quem não gostamos muito?

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